Praia do Forte Interditada
 

Há mais de 10 anos que não se via uma condição tão perigosa, na praia do Forte, quanto a apresentada na semana Santa. As fortes correntes de retorno, mais conhecidas como valas, ao longo de toda a praia, deram muito trabalho aos guarda-vidas, que realizaram 473 salvamentos em apenas 4 dias. Um aumento bastante significativo em relação ao ano passado que, no mesmo período, registrou 76 socorros. Tal situação ocorreu em virtude de dois fatores associados, o primeiro, pelas condições do mar, e o segundo, pela alta freqüência de banhistas. Apesar de todas as atividades preventivas realizadas, com a colocação de 80 placas de perigo correnteza, fitas de isolamento, orientações a banhistas e avisos sonoros com apitos, os banhistas insistiram em desconsiderar o profissionalismo dos guarda-vidas. Estima-se que sem as prevenções realizadas, o número de socorros teria passado de 1000.
 

Segundo o Tenente Coronel Marcelo Pinheiro, comandante do 18º GBM, todos os banhistas deveriam saber reconhecer as correntes de retorno, que pode ser definida como o refluxo do volume de água, que retorna para o mar, em virtude da força gravitacional. Essas correntes são as maiores causas de resgates executados pelos guarda-vidas, sendo responsáveis por, aproximadamente, 85% dos afogamentos que ocorrem no litoral do estado do Rio de Janeiro. São consideradas perigosas para os banhistas por fluir, algumas vezes, com velocidade superior a 3m/s e possuir uma habilidade quase mecânica de cansar nadadores ao ponto de fadiga. Estudos realizados mostram que 70% da população nunca escutou falar nesse tipo de corrente, 28% já ouviu falar e somente 2% sabe reconhecê-las, então, centenas de pessoas já se afogaram apenas por desconhecer a morfodinâmica das praias.