Celenterados
Pertencem ao filo Cnidaria, que reúne os animais mais
inferiores com tecido e cavidade digestiva definidos. Este ramo abrange as
classes Hydrozoa (hidróides, plumas-do-mar, falsos corais urticantes, medusas e
caravelas), Scyphozoa (cifomedusas - “águas-vivas”) e Anthozoa (anêmonas-do-mar
e corais).
Os indivíduos podem ser solitários ou coloniais
e apresentar duas formas em seu ciclo vital. O pólipo, com corpo tubular onde a
extremidade inferior é fechada e fixa e a superior apresenta uma boca central
circundada por tentáculos moles, e a medusa, com corpo gelatinoso em forma de
guarda-chuva ou sino, marginado por tentáculos, boca na superfície côncava
inferior e natação livre __ dependem, em grande parte, das correntes, ventos e
marés para se locomover. No entanto, essas duas formas podem apresentar-se
modificadas e, ambas, podem aparecer no ciclo reprodutivo de várias
espécies.
O aparelho inoculador de peçonha é constituído
de uma bateria de células denominadas nematocistos. Cada nematocisto consiste de
uma diminuta cápsula arredondada, preenchida de líquido, contendo um fio tubular
enrolado que pode ser projetado para fora. Embora possam ocorrer em quase toda a
epiderme do animal, são mais abundantes nos tentáculos. Existem quatro tipos
diferentes de nematocistos. Dois deles produzem uma substância pegajosa e são
usados na locomoção e apreensão de alimentos, não apresentando perigo para o
homem. Os outros dois, chamados penetrante e envolvente, são usados em conjunto
para capturar suas presas e apresentam um líquido peçonhento que pode provocar
grande irritação (urticária) e intensa sensação de queimadura, além de ser um
potente agente paralisante do sistema nervoso. Análises recentes revelaram, na
peçonha, a presença de uma complexa mistura de toxinas (hipnotoxinas,
neurotoxinas, cardiotoxinas e palytoxinas) e/ou enzimas antigênicas, como o
hidróxido de tetra-metil-amônio, a serotonina, a histamina e outras substâncias
ainda não definidas.
O tipo penetrante tem um longo tubo
filiforme enrolado transversalmente. Na descarga, esse tubo explode para fora,
disparando um microaguilhão que perfura a pele e inocula a peçonha. Essa
descarga é extremamente rápida (ocorre em apenas 3 milisegundos) e possui grande
velocidade, atingindo a inacreditável força de aceleração de 40 mil G, que
capacita o microaguilão a penetrar até na carapaça de um caranguejo. O tipo
envolvente contém um fio curto e espesso enrolado. Na descarga, ele se enrola
fortemente em torno dos pêlos da pele. Ao coçarmos a pele, devido a ação da
peçonha já inoculada pelo nematocisto penetrante, estouramos uma pequena bolsa
que ele carrega e inoculamos involuntariamente ainda mais peçonha.
O sistema de descarga é
ativado através de reações involuntárias (estímulos químicos ou físicos). Por
isso, mesmo após a morte do animal, os nematocistos podem ser
ativados.
Águas-vivas
(Cifomedusas)
Possuem os sexos
separados e sua geração polipóide é diminuta ou ausente. Apresentam o corpo
gelatinoso, em forma de sino cúbico (cubomedusas) ou guarda-chuva
(discomedusas), com pequenos tentáculos delicados e marginais. Sua boca, no
centro da superfície côncava inferior, é circundada por tentáculos orais
contendo numerosos nematocistos.
Vivem nos mares tropicais
e subtropicais, nas águas pelágicas e costeiras. São comuns nas praias pelo fato
de preferirem as águas com fundo arenoso e os estuários dos rios. Podem ocorrer
isoladamente ou em grandes grupos __ principalmente nos ciclos sazonais de
procriação, em áreas que são, em geral, conhecidas pelos habitantes locais e
evitadas por motivos óbvios. Flutuam calmamente na superfície ou a meia-água,
porém, nas horas mais quentes do dia, migram para as águas mais profundas.
Apesar de poderem se deslocar por contrações rítmicas, estão, em grande parte, à
mercê das correntes e ondas. Durante as tempestades e ressacas, um grande número
delas costuma ser lançado nas praias.
Seu alimento, peixes
e pequenos invertebrados, é capturado e paralisado pelos nematocistos dos
tentáculos orais e conduzido para a boca. São exatamente esses tentáculos orais
que provocam acidentes com o homem.
Todas as águas-vivas
são capazes de infligir algum dano, porém apenas algumas espécies são realmente
perigosas e podem provocar lesões muito dolorosas e sérias. Em nosso litoral,
são mais comuns as discomedusas dos gêneros Aurelia e
Chrysaora, que podem provocar urticária, pequenas lesões e dermatites
dolorosas. As mais perigosas, no entanto, capazes de infligir desde lesões
moderadas (dor pulsátil ou latejante, porém raramente causando inconsciência) a
lesões severas (dor intensa que pode levar à perda da consciência e ao
afogamento), são as cubomedusas dos gêneros Carybdea e
Chiropsalmus. Este último, pertence à ordem Chirodropidae, que abriga
as águas-vivas consideradas as mais peçonhentas criaturas do planeta.
Denominadas vulgarmente de vespas-do-mar, podem, em um processo rápido,
provocar, além de erupções e dor lancinante, falência circulatória, paralisia
respiratória e morte.
No Brasil, os acidentes mais graves
são provocados pela Chiropsalmus quadrumanus. Os acidentes com a
espécie Carybdea alata costumam ser menos perigosos. Apesar de não
ocorrerem em nossa costa, e sim no Pacífico, vale citar dois outros gêneros
muito perigosos e interessantes. As discomedusas do gênero Cyanea, que
podem atingir mais de 2 metros de diâmetro, com tentáculos muitas vezes maiores
do que 30 metros de comprimento, e as cubomedusas do gênero Chironex
(vespa-do-mar), que são consideradas as águas-vivas mais mortais do mundo, as
mais peçonhentas de todas as criaturas marinhas. São responsáveis por numerosas
fatalidades na costa da Austrália __ a morte pode ocorrer em poucos minutos,
decorrente dos colapsos circulatório e respiratório. Seu tamanho, entretanto,
não costuma passar dos 20 centímetros de diâmetro, enquanto seus tentáculos
alcançam no máximo 3 metros de comprimento (estima-se que um animal adulto possa
ter cerca de 4 bilhões de nematocistos em seus tentáculos).
Caravelas
(Sifonóforos)
A caravela-portuguesa,
como também é chamada, é uma colônia flutuante formada por pelo menos quatro
pólipos polimórficos vivendo em perfeita simbiose. O pólipo flutuador ou
pneumatóforo, que secreta gás para tornar a colônia flutuante, os pólipos
nutritivos, que digerem o alimento, os pólipos reprodutores e os pólipos
defensivos ou pescadores, que apresentam longos tentáculos com muitos
nematocistos grandes e poderosos __ sua peçonha é antigênica, hemolítica,
dermato-necrótica e potencialmente letal para o homem.
Na
espécie do Atlântico, Physalia physalis, o flutuador, usado como uma
verdadeira vela, possui coloração roxo-azulada, podendo atingir até 30
centímetros de comprimento e mudar seu formato por contrações. Seus inúmeros
tentáculos, longos e transparentes, podem chegar a 32 metros de comprimento e
conter até 80 mil nematocistos em cada metro.
A caravela é
uma das mais temidas criaturas que se pode encontrar flutuando na superfície da
água nos mares quentes. É, sem dúvida, a responsável pelo maior número e pelos
mais graves acidentes com celenterados no Brasil. Sua maior incidência, em nosso
litoral, ocorre no verão, quando podem atingir algumas praias em grande número.
Apenas no verão de 1994, foram registrados cerca de trezentos acidentes com
estes animais nos litorais de São Paulo e Rio de Janeiro. Destes, muitos
necessitaram de atendimento médico e duas crianças tiveram parada respiratória
(felizmente responderam bem às manobras de reanimação).
Seus tentáculos, que usualmente se aderem à vítima, são capazes de
provocar sérias lesões __ grande irritação e intensa dor __ e ter uma ação
neurotóxica que pode causar sintomas sistêmicos severos, como ansiedade, dor nas
costas, câimbras, náuseas, vômitos, desmaios, convulsões, arritmias cardíacas e
problemas respiratórios. Alguns destes acidentes podem ser fatais devido ao
choque e conseqüente afogamento. A literatura médica tem registro de três mortes
por acidente com caravela no Atlântico, na costa sul dos
EUA.
Prevenção
Geral
Sabe-se que algumas águas-vivas
conseguem evitar objetos grandes e escuros quando têm oportunidade. Assim, nas
áreas com ocorrência desses animais, é aconselhável nadar ou andar bem devagar
dentro da água e vestir roupas escuras, para dar chance ao animal de afastar-se
com antecedência.
As estatísticas australianas descrevem
que o risco de acidente com as águas-vivas é sempre maior nas águas calmas e
quentes (90%) e no período da tarde (69%). As partes do corpo mais atingidas, em
ordem decrescente, são as pernas (77%), os braços (11%), o tronco (10%) e a
cabeça (2%).
É importante lembrar que os tentáculos de
algumas espécies podem atingir uma distância considerável do corpo do animal e,
por isso, deve-se evitar sua aproximação. No entanto, no caso das águas-vivas,
com seus corpos gelatinosos, é preciso “olhos treinados” para localizá-las a
tempo de evitar o contato. Roupas de neoprene, apropriadas para o mergulho, são
úteis para evitar a inoculação da peçonha. Os trabalhadores de águas tropicais
devem estar adequadamente vestidos para evitá-las.
Mesmo
aparentemente mortas e jogadas em uma praia, os tentáculos das águas-vivas e
caravelas podem grudar na pele e infligir graves lesões, visto que os
nematocistos são descarregados por reações involuntárias. Após as tempestades e
ressacas, um nadador pode sofrer sérias lesões ao entrar em contato com
tentáculos soltos que ficam boiando na água. Por isso, deve-se, após esses
eventos, evitar a natação em locais habitados pelas águas-vivas e caravelas.
Cobrir o corpo com óleo mineral, ou similar, pode apenas ajudar a evitar que os
tentáculos grudem na pele.
Na remoção dos tentáculos
grudados na vítima, nunca use as mãos desprotegidas. Nematocistos ainda
carregados podem inocular a peçonha nas mãos do socorrista e torná-lo outra
vítima.
Aspectos Médicos dos
Celenterados
Os sintomas clínicos e as
severidades produzidos pelos acidentes com os celenterados estão diretamente
relacionados a duas composições variáveis de fatores:
1 -
Relativas ao homem __ dependerá da capacidade do nematocisto de penetrar
na pele humana __ local do corpo atingido (espessura da pele e quantidade de
pelos que a protegem) __, extensão da área do corpo comprometida e da
sensibilidade, estado de saúde e tamanho corporal da vítima (quanto menor o
peso, maior a concentração de peçonha no organismo).
2 - Relativas ao animal
__ as propriedades peçonhentas de um celenterado dependem não somente da
espécie envolvida e, conseqüentemente, da composição química (toxinas) de sua
peçonha, mas, principalmente, de uma série de fatores que irão influenciar na
quantidade de peçonha inoculada durante o contato com a vítima. Destes fatores
fazem parte o número, tamanho e largura dos tentáculos envolvidos, o tempo em
que a pele é exposta ao contato e a quantidade de nematocistos aptos a
descarregar a peçonha, o que dependerá do espaço de tempo desde a última
refeição do animal (nematocistos já descarregados na presa e não repostos). Além
disso, fatores ambientais como a salinidade e a quantidade de comida disponível
no ambiente e, ainda, o estado fisiológico do animal, podem influenciar na
quantidade e potência da peçonha
inoculada.
Os sintomas produzidos
pelas águas-vivas e caravelas variam bastante. Algumas produzem lesões leves,
enquanto outras são capazes de causar muita dor local e sintomas generalizados
que podem até levar à morte em poucos minutos. Os sintomas mais freqüentes,
que são as manifestações locais, variam de uma suave irritação ou ardência a
queimaduras com dor pulsátil ou latejante que pode durar de 30 minutos a 24
horas e deixar a vítima inconsciente. Em alguns casos, a dor é restrita à área
do contato, porém, em outros, pode irradiar-se para a virilha, abdome ou axila.
A área que entra em contato com os tentátulos geralmente torna-se hiperemiada,
podendo ocorrer placas urticariformes lineares, erupção inflamatória, flictena,
edema, pequenas hemorragias na pele e até mesmo necrose. Nos acidentes leves, as
lesões urticariformes costumam regredir passadas cerca de 24 horas, deixando
lesões eritematosas lineares que podem persistir no local por
meses.
Nos casos mais graves, onde ocorrem as
manifestações sistêmicas, podemos ter cefaléia, mal-estar, náuseas, vômitos,
câimbras, rigidez abdominal, diminuição da sensação de temperatura e toque, dor
lombar severa, espasmos musculares, perda da fala, sialorréia, sensação de
constrição na garganta, dificuldade respiratória, arritmias cardíacas,
paralisia, delírio e convulsão. A morte pode ocorrer por efeito da intoxicação,
que gera insuficiência respiratória e choque, ou por anafilaxia (reação
inflamatória aguda de origem alérgica).
A inoculação de
peçonha pelas águas-vivas da ordem Chirodropidae (cubomedusas chamadas
vespas-do-mar) está entre os eventos médicos mais dramáticos e constitue-se em
um dos mais rápidos processos de intoxicação que se conhece.
Tratamento
Geral
Há muita controvérsia,
especulações e opiniões conflitantes com relação aos procedimentos nos primeiros
socorros e no tratamento das lesões provocadas pelos celenterados.
Quanto aos primeiros socorros, deve-se atentar para os
seguintes aspectos progressivos a serem considerados:
1 - O contato
inicial com os tentáculos resultam primeiramente em uma modesta inoculação pelos
nematocistos.
2 - Quanto mais tempo o tentáculo permanecer em contato com a
pele, mais nematocistos poderão ser descarregados, já que as descargas são
contínuas.
3 - Uma substancial quantidade de pedaços de tentáculo são
arrancados do animal e grudam na vítima quando a mesma entra em pânico e se
debate próximo ao animal.
4 - Os esforços subseqüentes da vítima, ainda
dentro da água, para desvencilhar-se dos pedaços de tentáculo aderidos, costumam
resultar em um considerável aumento nas descargas dos nematocistos.
Trata-se de uma situação realmente difícil,
onde a questão “deve-se ou não tentar remover os tentáculos ainda dentro da
água?” é levantada com freqüência. No entanto, observações e estudos dos
acidentes têm resultado em recomendações com maiores possibilidades de sucesso.
Assim, ao ser inoculada, a vítima deve esforçar-se ao
máximo para manter-se calma e conseguir sair da água o mais rápido possível,
devido ao risco de choque e afogamento, sem, porém, tentar remover com as
próprias mãos os tentáculos aderidos. Somente após chegar em terra firme é que
haverá a necessidade da remoção cuidadosa dos tentáculos aderidos à pele, sem
esfregar a região atingida, o que só pioraria a situação.
Com relação às substâncias efetivas e capazes de desativar as descargas dos
nematocistos e/ou diminuir a ação da peçonha, existem muitas opiniões
conflitantes. Enquanto algumas são totalmente inócuas e outras podem até mesmo
aumentar a inoculação e, conseqüentemente, a lesão, existem aquelas com
comprovada eficácia.
Soluções alcoólicas metiladas como
os perfumes, loções pós-barba ou mesmo bebidas alcoólicas (etanol) não devem ser
utilizadas, pois em alguns casos podem induzir mais descargas e/ou prolongar a
agonia da vítima. Em contrapartida, o hidróxido de amônia diluído a 20%, o
bicarbonato de sódio diluído a 50% e o soro do mamão papaia (antiga técnica
usada pelos nativos havaianos), além de outros tipos de medicamentos, têm sido
usados com variado grau de sucesso para reduzir a ação da peçonha e desativar os
nematocistos dos tentáculos que ainda permanecem grudados no local lesionado.
Existem relatos não científicos de que a urina também teria efeito sobre a
peçonha. Como não há comprovação médica, seu uso é
desaconselhável.
Sobre a utilização do vinagre (ácido
acético de 4 a 6%), usado largamente como inativador dos nematocistos, alguns
estudos assinalam que o mesmo não tem ação anti-álgica e é efetivo somente para
a desativação das descargas posteriores dos nematocistos de apenas algumas
espécies, podendo provocar efeito contrário em outras.
Alguns autores demonstram que o resfriamento do local da lesão, através da
aplicação de bolsas de gelo logo após o acidente, reduz sensivelmente a dor
local, contrariando conceitos emitidos por outros autores que contra-indicam
este procedimento.
Desde 1970, a Commonwealth Serum
Laboratories vem pesquisando com sucesso um tipo de antídoto desenvolvido a
partir da peçonha da água-viva Chironex fleckeri, já tendo conseguido
neutralizar em poucos minutos os efeitos locais e sistêmicos em vários banhistas
atingidos por esta espécie nas praias da Austrália.
Apesar
de toda essa discussão, existem procedimentos, com comprovada segurança, que
devem ser seguidos. Os primeiros socorros e o tratamento têm quatro objetivos
principais:
1. Minimizar o número de descargas dos nematocistos na pele.
2. Diminuir os efeitos da peçonha inoculada.
3. Aliviar a dor.
4.
Controlar sua repercussão sistêmica.
A dor
é, em geral, controlada através do tratamento da dermatite. Ainda assim, pode-se
utilizar analgésicos simples (Novalgina ou Tylenol) nos casos brandos e a
morfina quando a dor é mais intensa. Os anti-histamínicos e corticóides orais ou
tópicos são úteis para o tratamento das reações inflamatórias do tipo
alérgica.
É importante observar e estar atento para a
vítima que é resgatada da água com euforia e grande atividade física e que, de
repente, torna-se calma e cooperativa. Esta mudança brusca de comportamento pode
significar uma séria manifestação de disfunção do Sistema Nervoso Central
(choque neurogênico) advinda do aumento nos níveis de intoxicação sistêmica. A
necessidade de reanimação cárdio-pulmonar, nesses casos, pode ser
iminente. A assistência ventilatória e outras medidas de suporte
hemodinâmico utilizadas em terapia intensiva podem ser necessárias nos casos
mais graves e complicados, que poderão também requerer o mesmo tratamento
aplicado para as grandes queimaduras por fogo.
A rotina de
tratamento para uma vítima de acidente com os celenterados deve seguir os
seguintes passos:
n A primeira medida é lavar
abundantemente a região atingida com a própria água do mar para remover ao
máximo os tentáculos aderidos à pele. Não utilize água doce,
pois ela poderá estimular quimicamente (por osmose) os nematocistos que ainda
não descarregaram sua peçonha.
n Não tente,
de modo algum, remover os tentáculos aderidos com técnicas abrasivas, como
esfregar toalha, areia ou algas na região atingida.
n Para prevenir novas inoculações __ ao desativar os
nematocistos ainda íntegros e também neutralizar a ação da peçonha __, banhe a
região com ácido acético a 5% (vinagre) por cerca de 10 minutos (as soluções de
sulfato de alumínio ou amônia, ambas diluídas a 20%, são alternativas para a
falta do vinagre). É importante lembrar que o vinagre não possui nenhuma ação
benéfica sobre a dor já instalada pela inoculação inicial.
n Remova suavemente os restos maiores dos tentáculos
aderidos com a mão enluvada e com o auxílio de uma pinça. Para retirar os
fragmentos menores e invisíveis tricotomize o local com um barbeador ou com uma
lâmina afiada. Pode-se aplicar antes um pouco de espuma de barbear em spray,
lembrando-se de não esfregar a região.
n Lave
mais uma vez o local com água do mar e reaplique novos banhos de ácido acético a
5% (vinagre) por 30 minutos.
n Para remover
os nematocistos remanescentes pode-se aplicar no local uma pasta de bicarbonato
de sódio, talco simples e água do mar. Espere a pasta secar e a retire com o
bordo de uma faca.
n Caso a dor continue, use
compressas geladas no local e substâncias analgésicas sistêmicas para reduzir os
sintomas álgicos.
n Havendo reação
alérgica/inflamatória, aplique uma camada fina de loção do corticóide
betametazona (Betnovat) duas a três vezes ao dia. Nos casos mais graves, utilize
anti-histamínicos ou corticóides orais __ consulte sempre um médico para
orientação.
n Em caso de infecção
secundária, será necessário o uso de antibióticos com amplo espectro, tópico
(bacitracina ou neomicina) ou sistêmico (ampicilina + acido clavulânico), de
acordo com a gravidade __ consulte sempre um médico para
orientação.