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Aconteceu em
Portugal, na cidade de Matosinhos, o Congresso Mundial de Salvamento
Aquático, realizado nos dias 27, 28 e 29 de Setembro de 2007. O evento foi
organizado pela Associação de Nadadores Salvadores (ASNASA) e pelo Instituto
de Socorro aos Náufragos (ISN), sob os auspícios da Federação Internacional
de Salvamento Aquático - ILS.
O evento teve
inicio meses atrás quando 80 especialistas, de mais de 40 países, submeteram
suas "expressões de interesse" em apresentarem suas mais recentes novidades
baseados em evidencias científicas. As apresentações foram divididas em
conferencias e apresentações oral e pôster e foi a primeira vez que teve
este formato científico.
A conferencia
foi precedida por um aquecimento nos debates em um processo de estabelecer
qual o melhor plano estratégico para a Federação Internacional de Salvamento
Aquático, ou seja quais são as maiores prioridades na área. Durante um dia
inteiro dividido em 9 mesas com 10 especialistas cada, 90 pessoas
determinaram quais as maiores preocupações na área de salvamento aquático de
forma que a ILS possa de forma mais efetiva cumprir a sua missão de reduzir
o número de afogamentos no mundo.
O Congresso
Mundial de Salvamento Aquático ocorre a cada 4 anos e embora seja a terceira
edição do gênero, foi sem dúvida a de maior retorno, pois contou com a
participação das mais expoentes organizações em saúde e cuidados com
crianças, tais como OMS, Unicef, CDC Americana, Cruz Vermelha Internacional,
e TASC, além dos mais importantes serviços de salvamento aquático do mundo.
Quarenta e
seis países compareceram ao evento cujo o objetivo foi reunir os melhores
profissionais da área de salvamento aquático do mundo, promovendo uma
grande troca de informações e debates de forma a reduzir o número de mortes
e lesões nos ambientes aquáticos por todo o nosso planeta.
Destaque para
o Brasileiros, com sua mais expressiva participação em um evento
internacional desta área, com 12 integrantes na delegação composta por
membros do Rio Grande do Sul (Ten Cel Joel Prates Pedroso - Brigada MIlitar), Santa Catarina (GV
Romeu Bruno), São Paulo (Prof Osni Guaiano), Rio de Janeiro (Ten Cel Ricardo
Nunes, Maj David Szpilman (Corpo de Bombeiros), Prof Marcelo Barros e Sr Jorge Bilória), Bahia (GV
Jorge Cerqueira - Salvamar - Salvador), Pernambuco (Ten Cel Josué e Cap André Ferraz
- Corpo de Bombeiros), além do
guarda-vidas Luiz Morizot (residente nos EUA) e um representante da nossa
querida Petrobrás.
Juntos realizaram 19 das 140 apresentações do congresso
abordando principalmente a prevenção em crianças, sendo 2 conferencias em
plenário:
The Dolphin Project – Since 1964, the largest
drowning prevention project in Brazil – 150.000 children trained - Ricardo
dos Santos Nunes (Brazil) -
Resumo e
apresentação.
International Life Saving Federation ILS: How and
what were the impacts on Brazil Lifesaving - David Szpilman (Brazil):
Resumo e
apresentação.
Um de nossos
trabalhos em
poster, um desenho animado explicando formas de prevenção em
afogamento, recebeu o premio de
trabalho de excelência e pode ser visto
diretamente
clicando aqui.
Foram um total
de 140 trabalhos apresentados, que podem ser visualizados por completo ou
através de um resumo em
programa.
Abaixo descrevemos sumariamente as conclusões
mais importantes do evento
-
Mais de 350.000 pessoas morrem
anualmente afogadas no mundo.
-
Mais de 98% dos afogamentos com morte em nosso
planeta ocorre em países em desenvolvimento e não estão relacionados a
atividades recreativas e sim as atividades do dia-a-dia.
-
As crianças são as maiores vítimas da ineficácia de
políticas de prevenção em países em desenvolvimento, onde a morte por
afogamento na faixa de 1 a 14 anos aparece como primeira causa,
desbancando pneumonias e acidentes de transito.
-
Prevenção em afogamento foi o tema mais abordado por
todos os palestrantes, corroborando a opinião de todos os experts no
assunto.
-
As crianças são a prioridade número UM nos objetivos
da ILS, e os programas de prevenção constituem-se no instrumento mais
eficaz neste sentido.
-
Criança perto de água indica necessidade de supervisão de um
adulto em 100% do tempo, e esta é a forma mais efetiva de evitar o
afogamento. Esta assertiva, no entanto esta fora da realidade em casos
onde a pobreza impera, onde a mãe se dedica as suas atividades do lar,
expondo crianças ao afogamento. A solução criada em locais como
Bangladesh, foram as creches coletivas.
-
Neste congresso, começou-se a estabelecer uma
correlação cientificamente significativa (baseado em evidencias) de que
programas de prevenção em afogamento em crianças podem reduzir o número de
fatalidades. Embora a ferramenta ideal não esteja ainda estabelecida,
algumas propostas interessantes foram iniciadas e prometem uma revolução
nesta ciência.
-
Embora a mensagem "aprenda a nadar e não se afogue"
tenha uma mensagem positiva para a redução do número de óbitos, ela não é
o instrumento adequado a todos os países, haja visto as dificuldades em se
realizar programas deste tipo em larga escala, principalmente em países em
desenvolvimento.
-
Não existem soluções padronizadas para enfrentar o
afogamento, já que o problema é heterogêneo e varia de um país a outro,
sendo mais relevante dentre aqueles de geografia continental, como
China, Índia, Brasil e outros.
-
Existe uma grande necessidade de estabelecer uma
linguagem universal e definir termos como desastres aquáticos e outros
para que possamos comparar um mesmo aspecto de diferentes questões em
afogamento.
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Um grande despreparo em levantar a situação
afogamento foi constatada, ao elaborar pela primeira vez um trabalho pela
ILS, sobre mortes por afogamento. Dos 46 países filiados apenas 17 países
possuíam dados estatísticos sobre número de óbitos em afogamento. Nenhum
país sabe ao certo quantos salvamentos são realizados e as previsões
variam de 3 a 200 salvamento para cada óbito.
-
A OMS, Unicef, CDC Americano, Cruz Vermelha
Internacional, e TASC estão desenvolvendo cada um programas de prevenção
em afogamento, mas não existe atualmente nenhum link entre estes
trabalhos, e isto será uma das metas da ILS.
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Os desastres aquáticos tais como os "Tsunamis"
representam menos de 5% dos óbitos no mundo e embora extremamente
impactantes por sua forma súbita e catastrófica não podem sobrepujar a
morte diária e endêmica que ocorrem nos países em desenvolvimento, alguns
com mais de 100 óbitos por 100.000 habitantes/ano.
-
A formação de guarda-vidas, profissional
pró-ativo, deve abranger o segmento prevenção em todos os aspectos
primários, secundários e terciários, em vista de qualificar um
profissional que lida com saúde.
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O desporto salvamento aquático é a forma mais fácil
de levantar recursos para combater o problema afogamento, já que existem
incentivos governamentais e interesses de organizações bem estruturadas
nos esportes, até em países em desenvolvimento.
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Sinalizações em áreas aquáticas devem ser
padronizadas para uso internacional de forma que permita ao
turista
compreendê-las ao viajar, evitando o afogamento.
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O aquecimento global, se não revertido nos próximos anos,
levará ao aumento do número de casos de afogamento, na medida que ocorra
uma elevação do nível dos oceanos.
-
Hotéis devem prover segurança aquática em piscinas
ou praias para que sejam classificados como 5 estrelas.
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Que o Brasil conseguiu uma redução
de 30% na mortalidade por afogamento de 1987 a 2003 e que as duas mais
importantes intervenções que deram resultado a este sucesso foram os
Corpos de Bombeiros com seus guarda-vidas e a divulgação do conhecimento e
dos projetos de prevenção realizada por intermédio da Sociedade Brasileira
de Salvamento Aquático por todo Brasil?
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Na área médica especificamente, constatou-se que:
-
Importância além da devida tem-se dado a
necessidade de imobilizar a coluna cervical em casos de afogamento, com
prejuízo a condutas mais prioritárias como a ventilação.
-
Embora as novas recomendações de 2005 fortaleçam
os casos de PCR de origem cardíaca, com a nova proposta de 2 ventilações
para 30 compressões, as crianças e afogamentos deverão receber
prioritariamente ventilação com uma relação de 2 ventilações e 15
compressões cardíaca externa.
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O caminho para reduzir afogamentos entre as pessoas com necessidades
especiais e epilepsia não é a restrição a natação mas a sua pratica
com supervisão continua.
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O óculos escuros com proteção UVA e UVB e o uso de
protetor solar é fundamental no trabalho do guarda-vidas.
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A ventilação dentro da água em paciente
inconsciente é uma prioridade e só não deve ser realizada em casos onde
a segurança do socorrista esta em jogo.
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