PREVENÇÃO À ACIDENTES COM RAIOS NA PRAIA

Carlos Eduardo Smicelato
 

Relâmpagos:
Um relâmpago é uma corrente elétrica muito intensa que ocorre na atmosfera com típica duração de meio segundo e típica trajetória com comprimento de 5-10 quilômetros. Ele é conseqüência do rápido movimento de elétrons de um lugar para outro. Os elétrons movem-se tão rápido que eles fazem o ar ao seu redor iluminar-se, resultando em um clarão, e aquecer-se, resultando em um som (trovão). Um relâmpago é tipicamente associado a nuvens cumulonimbus ou de tempestade, embora possa ocorrer em associação com vulcões ativos, tempestades de neve ou, mesmo, tempestades de poeira. Dentro das tempestades, diferentes partículas de gelo tornam-se carregadas através de colisões. Acredita-se que as partículas pequenas tendem a adquirir carga positiva, enquanto que as maiores adquirem predominantemente cargas negativas. Estas partículas tendem, então, a se separar sobre a influência de correntes de ar ascendentes e descendentes e da gravidade, de tal modo que a parte superior da nuvem adquira uma carga líquida positiva e a parte inferior uma carga líquida negativa. A separação de carga produz então um enorme campo elétrico tanto dentro da nuvem como entre a nuvem e o solo. Quando este campo, eventualmente, quebra a resistência elétrica do ar, um relâmpago tem início. Em termos gerais, existem dois tipos de relâmpagos: relâmpagos na nuvem e relâmpagos no solo. Relâmpagos na nuvem originam-se dentro das nuvens cumulonimbus, normalmente na região onde gotículas de água transformam-se em gelo, e propagam-se dentro da nuvem (relâmpagos intranuvem) ou fora da nuvem, rumo a outra nuvem (relâmpagos nuvem-nuvem) ou numa direção qualquer no ar (descargas para o ar). Relâmpagos no solo, por sua vez, podem originar-se na mesma ou em outras regiões dentro da nuvem cumulonimbus (relâmpagos nuvem-solo) ou no solo, abaixo ou perto da tempestade (relâmpagos solo-nuvem). Mais de 99 % dos relâmpagos no solo são relâmpagos nuvem-solo.


Proteção individual
Relâmpagos podem ser perigosos. Quando relâmpagos estão caindo próximo, você esta sujeito a ser atingido diretamente por eles. A chance de uma pessoa ser atingida por um relâmpago é algo em torno de 1 para 1 milhão. Entretanto, a maioria das mortes e ferimentos não são devido a incidência direta e sim a efeitos indiretos associados a incidências próximas ou efeitos secundários dos relâmpagos. Os efeitos indiretos incluem tensões induzidas, sobretensões, tensões de toque e de passo. Tensões induzidas são produzidas em pontos no solo próximos ao local da queda do relâmpago quando o líder escalonado aproxima-se do solo. A tensão induzida sobre uma pessoa pode causar a ocorrência de uma descarga para cima a partir da cabeça da pessoa, o que pode algumas vezes resultar em sua morte. Sobretensões são causadas pôr diferenças de tensão entre o objeto percorrido pela corrente da descarga e objetos próximos, resultando em descargas laterais. Tais descargas laterais são comum de ocorrer a partir de arvores próximas ou de uma pessoa que é atingida diretamente por uma descarga. Tensões de toque e de passo referem-se a diferenças de tensões induzidas por descargas próximas ao longo da direção vertical e ao longo do solo ou de superfícies horizontais, respectivamente. Estas tensões estão normalmente presentes entre diferentes pontos de um condutor ou pontos de diferentes condutores na vizinhança do local de queda de uma descarga. Os efeitos secundários estão normalmente associados com incêndios ou queda de linhas de energia induzidos por descargas.
A corrente do relâmpago pode causar sérias queimaduras e outros danos ao coração, pulmões, sistema nervoso central e outras partes do corpo, através de aquecimento e uma variedade de reações eletroquímicas. A extensão dos danos depende sobre a intensidade da corrente, as partes do corpo afetadas, as condições físicas da vítima, e as condições específicas do incidente. Cerca de 20 a 30 % das vítimas de relâmpagos morrem, a maioria delas por parada cardíaca e respiratória, e cerca de 70 % dos sobreviventes sofrem por um longo tempo de sérias seqüelas psicológicas e orgânicas. As seqüelas mais comuns são diminuição ou perda de memória, diminuição da capacidade de concentração e distúrbios do sono. No Brasil é estimado que cerca de 100 pessoas morrem por ano atingidas por relâmpagos.
De modo a evitar os acidentes descritos acima, as regras de proteção pessoal listadas abaixo devem ser seguidas.
Se possível, não fique na faixa de areia durante tempestades, a não ser que seja absolutamente necessário.
Se estiver dentro do Posto, evite:
usar telefone;
ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas;
tocar em qualquer equipamento elétrico ligado a rede elétrica.

No geral, evite os seguintes lugares que possam oferecer pouca ou nenhuma proteção contra relâmpagos:
pequenas construções não protegidas, tais como celeiros, tendas ou barracos;
veículos sem capota, tais como tratores, motocicletas ou bicicletas;
estacionar próximo a arvores ou linhas de energia elétrica.
Se possível, evite também certos locais que são extremamente perigosos durante uma tempestade, tais como:
topos de morros ou cordilheiras;
topos de prédios;
áreas abertas, campos de futebol ou golfe;
estacionamentos abertos e quadras de tênis;
proximidade de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas e trilhos;
proximidade de árvores isoladas;
estruturas altas, tais como torres, linhas telefônicas e linhas de energia elétrica.
Se você estiver em um local sem um abrigo próximo e sentir seus pêlos arrepiados ou sua pele coçar, indicando que um relâmpago esta prestes a cair, ajoelhe-se e curve-se para a frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não deite-se no chão.
Na prevenção, ao pressentir a tempestade, procure orientar os banhistas, e em seguida, busque abrigo. Mantenha o cadeirão abatido e afaste-se dele. Evite também ficar próximo das placas de sinalização, principalmente as de fibra.

Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais